O que uma planilha de orçamento de obra precisa responder
Antes de apresentar um preço, a empresa precisa conseguir explicar o que será entregue, de onde vieram as quantidades, qual fonte sustenta cada custo, qual é a data-base e quais despesas formam o preço de venda. Uma planilha não substitui o projeto, a responsabilidade técnica ou a pesquisa de mercado. Ela cria um lugar único para testar e revisar a memória de cálculo.
As orientações do TCU para planilhas orçamentárias destacam a relação entre quantitativos, custos unitários e formação do preço. Na prática, isso evita que um valor por metro quadrado seja confundido com orçamento executivo ou que uma taxa de BDI esconda uma quantidade incorreta.
Passo 1: defina escopo, localidade e data-base
Comece registrando obra, cliente, localidade, área construída, responsável e data-base. A mesma composição pode ter comportamento diferente conforme UF, regime, logística, produtividade, tecnologia construtiva e momento da cotação. Sem esses dados, uma planilha pode parecer precisa e ainda assim não ser comparável.
Registre também exclusões, premissas e itens a confirmar. Fundação especial, contenções, transporte, ligações provisórias, mobilização, demolição, impostos, administração local e riscos devem aparecer como decisão explícita, não como surpresa depois da proposta.
Passo 2: levante quantidades antes de discutir preço
Crie uma linha para cada serviço verificável, com código, unidade, EAP, descrição e quantidade. Quantidade é a ponte entre projeto e custo. Ela pode vir de projeto, levantamento, memorial, modelo BIM ou estimativa preliminar, mas a origem precisa ser conhecida. Quando houver revisão de projeto, preserve a versão que justificou a mudança.
Evite lançar apenas blocos genéricos como "acabamentos" ou "obra geral". Quanto mais claro for o pacote de trabalho, mais fácil será comparar compra, medição, cronograma e saldo de orçamento depois.
Passo 3: escolha a referência correta para cada item
SINAPI, SICRO, SEINFRA, composição própria e cotação de mercado podem coexistir na mesma planilha. O importante é não misturar fontes sem identificar origem, localidade, data-base, unidade e critério. O SINAPI, mantido pela CAIXA e IBGE, publica referências e documentação técnica. O SICRO, do DNIT, atende ao seu contexto de custos referenciais. Tabelas estaduais, como a SEINFRA, também exigem conferência de edição e aderência ao escopo.
Passo 4: calcule custo direto, BDI e preço de venda
Na planilha, custo direto é quantidade multiplicada pelo custo unitário. O BDI deve ser analisado como formação de preço, com parcelas coerentes de administração central, despesas financeiras, riscos, garantias, tributos e lucro, conforme o caso. Não existe uma taxa universal de BDI. Usar a mesma taxa em todo contrato sem verificar as condições pode distorcer a margem ou tornar a proposta pouco competitiva.
O preço total só deve ser apresentado depois de revisar escopo, restrições, encargos, impostos, riscos e exclusões. Para apoiar essa revisão, use também a calculadora de BDI.
Como ler custo por m² e Curva ABC
Custo por m² é um indicador de comparação, calculado pela divisão do custo ou preço adotado pela área definida. Ele não informa sozinho qualidade, padrão, terreno, escopo ou risco. A Curva ABC, por sua vez, destaca os grupos que concentram maior valor. Ela ajuda a priorizar revisão de quantitativos, composições, cotações e compras, mas não substitui a análise de itens críticos de prazo ou qualidade.
Quando sair da planilha e usar o App Saniz
A planilha é útil para estudar, explicar e testar a primeira versão. Quando a equipe precisa manter várias versões, buscar composições, controlar limites, compartilhar orçamento com compras, comparar cronograma, registrar RDO e acompanhar o financeiro da mesma obra, o controle manual passa a exigir conciliações repetidas. O plano gratuito do App Saniz inclui acesso às bases SINAPI, SICRO e SEINFRA dentro dos limites de quantidade, valor e downloads publicados. Ele permite começar sem cartão e evoluir quando a produção pedir mais escala.
Fontes para conferência
Consulte as orientações do TCU sobre planilhas orçamentárias, a documentação vigente do SINAPI e as fontes setoriais aplicáveis ao tipo de obra. Sempre confirme a versão publicada antes de usar uma referência em decisão comercial, pública ou contratual.